sábado, 18 de agosto de 2012

Encanto



Não chegou quieto e nem calado. Pelo contrário, chegou, jogou a mochila, fez um canto só dele e por aqui ficou. Fez barulho, fez bagunça, espalhou roupas por todos os lugares e fez de mim um pouco de sua casa. Até tentou pedir licença, tentou ir devagar, mas o coração é cheio de pressa e o amor não entende de tempo e nem tem tempo a perder.

A gente sempre quer um amor, não precisa dizer que é namorado, que é marido, amizade colorida, companheiro, parceiro, não precisa definir. A definição pode vir depois, com um pouco mais de crescimento, amadurecimento, vontade de mudar o status do facebook ou simplesmente a felicidade de andar de mãos dadas por aí ou ainda juntar a vida e dividir a mesma cama. Com ele eu nunca quis definir nada, era de lua, metamorfose ambulante, charada, eu só queria sentir, definir poderia custar um pouco do meu sono, definir poderia estragar o que tínhamos e o que ainda não tínhamos.

Tinha medo e quem não tem? Parece que nos esquecemos da simplicidade do amor e fica apenas a amargura da desilusão. O medo do fim sem nem mesmo ter vivido o começo.  É um absurdo, um perder de vida e suspiros. É um perder de sorrisos e histórias. É um desperdício de carinho. Dele nunca tive medo, o medo era por mim que queria ser metade para não perder-me por inteiro. O medo era por mim, que não seguia as regras que imponha contra mim mesma e desafiava a outra metade a entrar também na brincadeira. E assim ia inteira, dizendo que era metade, rindo do perigo, construindo minha imagem em alguém que não era eu. Era nele, ele, pra ele.

Olhando pergunto em silêncio que encanto é esse. Pergunto que cheiro é aquele. Pergunto o motivo de todo pedaço de mundo fazer com que eu me lembre dele e fico curiosa a cada canção que encontro um segredo nosso. Já nem procuro entender mais a saudade que sinto, que pensava existir apenas pelos dias ou meses de distancia, mas hoje as horas consomem os pensamentos, quero o doce da presença o tempo inteiro.

Hoje minha pele quer respirar aquele ar e ser envolvida pelo abraço quente. É como se tivesse encontrado um canto onde mora a felicidade, como se todo o resto já não fizesse diferença, o máximo que pode acontecer é uma ruga. E o que é uma ruga comparada as sensações mistas e indissociáveis do amor? O que sinto é a vontade de unir dois corpos por um sentimento. Abraço forte, beijo forte, aperto as mãos, sinto o coração e firmo os olhos. Sinto a alegria de não ter desistido, a paz de confiar nos próprios sentimentos, de passar por caminhos tortos e labirintos e a felicidade de entregar um pouco da vida e de mim a alguém.

Um comentário:

***MissUniversoPróprio*** disse...

Narinha, já te disse várias vezes, mas é impossível não repetir o quanto gosto de te ler. O quanto escreves de forma simples e ao mesmo tempo tão bonita.

Sinto saudades. Daqui, de você, e dos bons tempos em que a presença - de nós, das letras, dos textos e das leituras - era constante.

Um beijo, flor. =)

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