quinta-feira, 26 de abril de 2012

Do meu tempo



Sossegue. Pegue seu tempo e o aproveite. Respire, ainda há tanto por aí para se viver e ver. Não entendo esse desespero intenso, essa fome instantânea, essa vontade que parece obscurecer todos os outros sentimentos e sentidos. Apenas um foco, apenas uma vontade. Será que é do jeito que dizem? Tudo tem sua hora? Nove meses para nascer, vinte e quatro horas para um dia, três minutos para o miojo, quinze minutos de fama, quatro estações do ano, apenas uma vida. De tempo indeterminado, de causa sem motivo, que começa por amor e termina sem avisar. E essa pressa toda? Tirei de onde?

Sei que com essa minha pressa, descobri que o tempo não é nada exato e que meu tempo é muito diferente do seu e de qualquer outra pessoa. O tempo que é só uma das muitas diferenças, o tempo que é algo em comum na vida de todos nós e que ainda assim nos passa a perna e lida com soberania sobre a nossa singularidade. E pelo tempo, eu entendi que eu queria e você não quis. E dizem que há um tempo em que isso se resolva e passe. Mesmo assim, como quem não muda ou empaca, eu ainda tenho pressa.

Quanto ao esperar, eu já esperei demais. E parece estar escrito na minha testa em letras garrafais: Ela Não Sabe Esperar. De coração afobado, é quente, as mãos inquietas, os pés e as pernas que se mexem involuntariamente e o pensamento absurdo, a fantasia aguçada. Enquanto espera já imaginou por segundos o ocorrido. Então acordo, e por mais que tenha pressa, parece que meus passos são lentos. Curtos não são, tenho os passos largos de um verdadeiro apressado, mas ainda assim são lentos.

As pessoas são apressadas quando se sentem atrasadas. Disso, tiro apenas três conclusões: Estou atrasada, fiquei tão apegada aos meus sentimentos e ao meu mundo que me esqueci de viver o real. Você está atrasado, pois não encontra o caminho, pegou o atalho errado ou simplesmente perdeu-se de mim por aí. E por fim, você fez com que eu me atrasasse, uma verdadeira perda de tempo e de vida, um amor desperdiçado.

4 comentários:

Raquel Batista disse...

Gemea, como é possível ? Você ser eu , sem ser eu ? Porque não há nada no seu texto que não pareça ter sido escrito por mim...assim, desse jeito mesmo.
Sou eu , dos passos largos e lentos !

Érica Verônica disse...

♪ Compositor de destinos
Tambor de todos os rítmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo... ♫

Ana Luisa Soares disse...

Esse texto foi pra mim né? Ai Nara,só nós temos noção do quanto nossa intensidade e vontade de viver tudo são perigosas.

***MissUniversoPróprio*** disse...

Sim, há pressa. Pressa essa que parece justificar-se nessa sensação dolorida de tempo perdido. Mas é preciso lembrar que nenhum dos segundos que vivemos passa em vão, assim como nada - e nem ninguém - em vão passam também. Tudo faz parte dessa nossa por vezes colorida, por vezes dolorida, construção do que a gente é. E se faz. E se torna.

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