segunda-feira, 16 de maio de 2011

Asas



Eu tive um sonho, vou lhe contar (não, eu não me atirava do oitavo andar, pelo menos não dessa vez). Um sonho daqueles que Freud explicaria, mas como eu achei tudo tão claro vou explicar eu mesma, e até de um modo muito mais simples.

E foi assim, eu estava indo atrás de você, você que havia se perdido de mim. Estava em um shopping e para te encontrar eu precisava subir até o último andar, e era alto, alto, alto, alto, alto, tão alto que lá em cima fazia um frio danado. Eu peguei o elevador e fui subindo, olhava a paisagem, o quanto já estava longe do chão, insegura e com o coração na mão. E o elevador lá, cada vez mais alto.

Cheguei onde queria, era alto e ainda assim parecia o chão. Como se chegando ao céu, existisse um segundo céu. Você deve estar se perguntando agora onde é que você estava no meu sonho, eu  vou contar. Você estava voando. Em uma loucura total, você resolveu que queria voar de asa delta, e foi. Eu estava ali porque não queria que você fosse, então fui atrás de você. Mas você já tinha ido, e o que eu poderia fazer era esperar você voltar.

Eu fui ficando nervosa, você estava demorando. Então eu fiquei com medo, um medo tão alto quanto o lugar que eu estava, e eu não tinha coragem nem de olhar para baixo. Olhava pra cima procurando você e nada, nem um sinal. Não queria que você voasse assim. Nunca imaginei você tão longe. Até o fim do sonho eu continuei a esperar por você.

É necessário, né? A gente acha que o mundo é nosso, mas nós que somos do mundo. Ele vai nos engolindo, englobando, completamente envolvida: pessoas, lugares, coisas, estilos, culturas, sentimentos, amor, raiva, decepção, ilusão, sonhos, vontades, obrigações, você e o mundo.  Acontece que eu já não tinha um mundo, acontece que meu mundo era você. O mundo não era meu, eu era dele. Um dia a gente pensa em largar o mundo, mas nunca imagina que o mundo vai largar a gente desse jeito, tão rápido, tão sem motivo, de forma tão brusca.

Agora eu tô aqui, sem mundo, nem o chão eu sinto que tenho.  Agora você está aí, voando. Voar parece bom, parece tão livre. Como você consegue se sentir tão livre e eu tão presa a esse chão? Gostaria que você me levasse para voar, nós dois juntos. Eu sei que não dá, você já está tão alto e eu tenho medo de altura. Vou continuar aqui esperando você voltar. Se voltar...

11 comentários:

Aline V. disse...

Se for pra voltar, ele voltará.

Ana Elisa disse...

Abra suas asas. Solte suas feras. Caia na gandaia. Entre nesta festa (que a vida anda fazendo na sua vida).

Amiguinha, eu amo vc!

Roberta M. disse...

Ih Nara, a vida é assim mesmo, as vezes um precisa voar prá voltar fortalecido enquanto o outro precisa do chão prá se sentir firme....beijocassss

Idiótica. disse...

''Atire, se voltar é seu''.

Marcela disse...

Eu hoje tambem tive ums sonhoque me fez analisar umas coisas.. e assim que acordei vim ver seu blog. sinal da importancia dos sonhos nas nossas vidas?

Érica Verônica disse...

Dizem que voar é bom. Mas eu sinto que preciso "Dele" para me segurar no ar.

Borboleta no Casulo disse...

Nara querida, se tiver que ser o sonho se tornará realidade e vcs 2 irão voar juntos!!
Bjs

Lets disse...

Sabe de uma coisa... esse sonho me lembrou de um pedaço d eum texto... que me lembrou você...rs

“Venham para a beira, disse ele.
Eles disseram: temos medo.
Venham para a beira, disse ele.
Eles foram.
Eles os empurrou... e eles voaram.”
Guillaume Apollinaire

pense nisso, pq o medo as vezes faz com que deixemos de ter momentos felizes e inesquecíveis =)

A... disse...

Nara...Obrigada pelas palavras..Só as li hoje,estava viajando..Mas adorei o carinho e sua gentileza!!
Beijos..
Fique Bem...

Anônimo disse...

Quando tiver coragem de olha pra baixo vai perceber todo o shopping e suas opções... de tão alto que subiu, vai poder ver mais que o shopping... vai ver um horizonte... tao profundo quanto o céu, porém com muito mais a lhe mostrar.

"Sozinha, observo melhor as cores. Os excessos, os afetos que me faltam ou me afetam. Sem ninguém por perto, meus olhos ficam mais abertos, imersos no vazio. Recheado de detalhes doces, longe das cortes, sento no meio fio do meus pensamentos na beira do que eu invento e aproveito" - Zélia Duncan


Dango

Erica Vittorazzi disse...

O nosso consciente ás vezes nos revela o que não queremos ver ou saber. Boa sorte, querida.

beijos

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