terça-feira, 9 de março de 2010

Aqui dentro



Nos tempos de criança eu fechava a cara e cruzava os braços quando era obrigada a ir a algum lugar no qual eu não tinha a mínima vontade de ir. É que eu nunca gostei de me sentir presa. Minha alma não se acostuma, ela se mexe em meu corpo com toda a fúria e tenta uma fuga, isso tudo aos gritos, muito choro e quem sabe um Oscar, uma verdadeira atriz. Eu, como dona do meu corpo, tento manter a calma e fazer cara de mulher forte e concentrada.
Na verdade parece que tem uma corda no meu pescoço, ela aperta, e ser obrigada a qualquer coisa é a maior das torturas. Eu me pergunto o porquê disso tudo.  Eu me pergunto por que fazemos tanta coisa sem querer nessa vida. A meta não é ser feliz? Parece que felicidade é coisa do futuro. Eu coloco um cinto bem apertado nos meus desejos agora e amanhã, depois de todos os sacrifícios do mundo, eu serei feliz. Tem mesmo que ser assim?
Eu fiquei agoniada por estar em um lugar, eu queria ir embora. Queria fechar meus olhos e ao abrir estar em um lugar melhor. A gente sempre quer estar em um lugar melhor, uma posição melhor, de um jeito melhor, uma pessoa melhor.
Querer ser melhor não é de toda maldade, afinal é isso que nos puxa pra frente. Mas viver assim, nesse desagrado anda me incomodando. Dói a mente e o coração. Ainda mais assim, olhando tão de perto, tão dentro de mim.

28 comentários:

Roberta M. disse...

Lara, Lara, Lara...que post mais tocante!! Olha, não tem pior sensação do que vc estar querendo ir a tona e algo te puxando para baixo, e normalmente, esse algo é o incômodo, é o super-ego, grande vilão e imperativo, que nos faz sermos aceitáveis, mas pouco felizes....é, temos que reverter isso já!! Um grande beijo!!!

Ana Cristina Cattete Quevedo disse...

Eu cá penso assim: como sujeitos ainda pertencentes a uma sociedade, devemos as vezes fazer muitas coisas que não são de nossa vontade. Por respeito ao outro, por consideração, por amor, por tantos motivos que nem dou conta.
Acho que isso me torna uma pessoa melhor. Não aos olhos de outros, mas aos meus mesmo. Porque fazer só o que se gosta, onde está a vantagem, onde está a beleza? A satisfação pessoal conta, sim. Mas voce lá dentro fazer oque não quer , mas faze-lo popr amor, é o caminho para a superação.

Mas tem o outro lado, né? Se TUDO o que voce faz não te agrada, ou se tudo o que voce faz é somente para agradar, daí vira algo que depõe contra tua natureza. Ser feliz é o que nos resta, sim.
Mas sem rouber nossa alma, sem doer tanto o coração.

Há de se pesar, menina Nara. O equilíbrio é sempre a melhor saída.

Beijo pra ti.

[sempre gosto quando vejo um comentário seu. E de ler teus textos. Voce é muito fofa =)]

Rebeca Amaral disse...

Também detesto amarras em meus pulsos. Detesto quando me obrigam a fazer algo que me agrada. Detesto ser submissa. Detesto quando algo me incomoda. Acho que me sinto como você, acho que há uma coisa que está me preocupando mas não sei o que é.

Pena que eu não consigo olhar dentro de mim, como tu.

Beijo.

Eraldo Paulino disse...

Dependendo da hora, do lugar e da compania, amo algemas. Mas no geral, minha claustrofobia de multidão faz eu me sentir preso em ambientes com muita gente ou com muita formalidade.

Muito tocante seu post. Bjs!

Déia disse...

Tb odeio, mãos atadas, nó na garganta, aperto no coração...
Pena que nem sempre consigo fugir dessa situação...
Qdo criança, acho que era mais fácil!
Agora, sinto q as vezes sou obrigada a fazer certas coisas q detesto...

Preciso urgente me soltar!

bj

Carol disse...

Realmente.. fazer algo sob pressao, ou mtas vezes sem vontade é realmente chato.. mas infelismente mtas vezes é necessario.... E é nessas ocasios que podemos mostrar que somos fortes e superar isso..

To conhecendo seu blog hj e gostei mto dos seus textos.. vou seguir e sempre que puder retornarei..

Beijos

Mali Melo disse...

e eu pensando que era só eu que me imagino com um Oscar quando começo a chorar, haha...
então, a gente acaba se acostumando. mas ultimamente, tenho me revoltado mesmo, pareço um hippie (KK, não hein). Mas também ultimamente, tenho feito muito mais o que eu quero, o que eu gosto.
"parece que felicidade é coisa do futuro." disse, tipo, TUDO.
beixos! :*

Bela disse...

Nara, lendo seu post lembrei dessa música da Zelia Duncan:


"Eu tenho as mãos atadas sem ação
E um coração maior que eu para doar
Reprimo meus momentos
Jogo fora os sentimentos sem querer
Eu quero é me livrar
Voar
Sumir
Perder não sei, não sei,
não sei querer mais
A qualquer hora é sempre agora".


Um tio meu me disse q a nossa liberdade é nosso maior bem, é o que nos torna individuos,e que não devemos abdicar desse bem em nome de coisas vãs.

Seja livre, sempre, em palavras, atitudes e pensamentos, especialmente...só livre é que a gente pode tocar a liberdade do outro e ser livre junto. Tem também a metáfora dos pássaros: voam juntos, mas não precisam ficar amarrados pelos pés quando pousam terre firme.


Um grande abraço e obrigada pelo comentário. Gosto muito da forma como se expressa! é simples e profunda!pode seguir carreira!

=)

Andréa Silveira disse...

Tb penso mto sobre isso.. pq nao podemos ser feliz agora? assim, de forma simples, fazendo oq queremos. Entendo oq vc fala, essa sensação de que algo prende, prende mais a gente que qq outra coisa.. Ficarei aq a pensar.. Beijos!

Menina Misteriosa disse...

Narinha,
Minha cara me denuncia, quando me sinto presa, tenho que fazer algo ou ir em algum lugar que não quero.
Em alguns momentos, temos que ceder; nem tudo é sempre como a gente quer. Mas só ceder, sempre, está errado.
A felicidade não pode ser coisa só do futuro. Tem que ser sentida agora!
;)
Um beijo


http://meninamisteriosa.wordpress.com/
http://www.aceuabertodaboca.blogspot.com/

Ana Carvalho disse...

hoje eu me sinto assim.

Luna Sanchez disse...

Narinha, é a zona de conforto conflitando com a tua alma livre.

Fase. Vai passar.

Beijo, beijo.

ℓυηα

Sílvia disse...

Não ter que se ser ninguém porque não há nada concreto :)

Naty Araújo disse...

Concordo com vc...
Odeio pressões, pessoas que me obrigam a fazer o que não quero.
Estou num lugar que não quero e fico ansiosa para me retirar...
Querer ser melhor é natural, o ruim é querer pisar nas pessoas. Mas de resto, minha querida... é assim.
Lutar pra ser melhor.

Bjos

Lari Rodrigues disse...

Quanto tempo faz que não passo por aqui...Adorei o post, eu estava me sentindo assim a uns poucos dias, mas me aconteceu uma coisa que me fez mudar completamente!
A felicidade está dentro de nós, as coisas acontecem, mas muitas vezes não acontecem no nosso tempo, creio sim, agora mais do que nunca que há uma força maior que move esse planetinha azul!
e como diz a Zélia "não pensa mais nada, no final dá tudo certo de algum jeito..."

ah nara, amei uma das plaquinhas aqui do lado com um trecho de música da Marisa Monte "molha eu, seca eu" maravilhosa!

beijos!

meus instantes e momentos disse...

Gostei do texto.
Bem feito, inteligente, bem escrito.
Gostei daqui.
Maurizio

Escrevo Palavras e Choro Poemas disse...

Tão lindo oq vc escreve tbem não suporto me sentir presa, espero q fique bem querida! bj*

A!!ªN disse...

Gostei do seu texto, álias de tudo aqui vou te seguir...
e é realmente ruim quando estamos onde não queremos, só porque sentimos obrigados, eu me senti muito assim ano passado, foi terrível e isso acabou comigo, mais graças a Deus já posso respirar um "Novo ar", e já me sinto bem recuperado... você vai superar.
bjo

Erica Vittorazzi disse...

Viver em sociedade é isto: nem sempre fazemos tudo que desejamos.

Léo Santos disse...

Qualquer que seja o lugar onde nos encontramos algo de bom sempre haverá, nem que seja nós mesmos! Gostei do teu blog!

Um abraço!

ana wants revenge disse...

ai ai viu...
na familia eu tenho fama de revolt.
mas poxa, a gente ja engole tanto sapo na vida profissional, na pessoal eu tento ser eu mesma e tentar fazer o que me agrada. ;)

beeeijo
.
.
.

Sônia Silvino disse...

Nem sempre conseguimos fazer ou realizar algo que desejamos, mas é preciso insistir e tentar de outras formas.
Bjkas, minha lindinha!

Maldito disse...

Ao invés de procurar um lugar assim,..acho que temos que aprender a construilo, tijolo, por tijolo.

Sílvia disse...

E às vezes é bem preciso :)

Déia disse...

Vc será convidada !!!!

Quero ver zezogar no casório kkkk

bj

Sílvia disse...

Eheheh ainda bem! ^^

Erica Vittorazzi disse...

Nara, sobre o meu post. Você está certa!! Ele não sabe sobre os sentimentos dela, por isso, ela ouve calada.

beijos

Dai disse...

Nara,

Ler seu texto me fez lembrar de uma histórinha:

Um menino estava brincando quando foi 'convocado' à mesa para almoçar, o garoto não estava nem com fome e nem com vontade, além disso, ele não gostava de ficar na mesa, gostava de pegar o prato e ir pra sala, comer com o prato no colo, mas o pai queria que ele comesse ali, na mesa, com todos os parentes 'tão simpáticos'. O garoto, para demonstrar toda a sua insatisfação, foi mas ficou em pé, o pai mandou que ele se sentasse, ele continuou em pé, nisso o pai o ameaçou dizendo que ele se sentasse ou iria levar uma surra, o menino se sentou e respondeu:

_Posso ter me sentado, mas por dentro continuo de pé.

As vezes essa é a única possibilidade que nos resta.

beijo

(tá lindo o blog)

Aviso

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