domingo, 31 de maio de 2009

Um pouco de antes para entender o hoje

Quando o aniversário começa a se aproximar, eu acabo me lembrando que o tempo passa muito rápido, sem pedir licença. Senhor mal educado. Tem que perguntar. “E aí minha jovem? Deseja umas ruguinhas? Uns quilos a mais? Quem sabe uma carne mais molinha e cabelos naturalmente brancos?” Nada, os anos vão passando e quando você nota, seu semblante é mais sério, suas roupas são menos coloridas e sua unha tá pintada de vermelho, porque é coisa de mulher decidida e sexy.
Não cheguei nem aos 30, e não me assusta pensar nos 30. Na verdade me dá sintoma de certezas, dá até medo. Tudo bem que quando eu tinha 12, achava que tudo seria bem diferente do que é hoje. Mas eu era tão (mais) ingênua, tão menina, tão criança. Eu usava milhares de coisas coloridas no cabelo, caderno coloridinho e letra cursiva bem redonda. Tinha um amor platônico, desses que me fazia ouvir músicas pop, cantar alto e forçar uma lágrima, um drama só. Um amor que me fez largar as bonecas, que me fazia desejar ser igual asmeninasdaoitavasérie (elas sim eram charmosas), só assim conquistaria aquele garoto. Era dele que eu falava no diário, era dele as partes mais importantes das conversas com minhas amigas. A verdade era que ele nem sabia meu nome. E hoje eu me pergunto o que eu estava fazendo.
Quando se tem 12 anos, o exagero governa tudo. Eu era tão depressiva, queria virar vegetariana (não que vegetarianos sejam depressivos), queria mudar o mundo, queria ter sido eu a dançar com o Bono e não a Katilce, queria fazer yoga, queria um amor no melhor estilo Malhação, queria uma banda (detalhe: não canto, não danço, não toco nada).
Lembro de um dia meu primo dizer que eu não tinha personalidade. Que absurdo! Logo eu, tão madura, tão lascada pela vida. Que audácia! Hoje vejo a razão dele, eu não era uma cabeça de vento, mas vivia naquela vidinha escola/casa e tv. Estava formando o que hoje chamo de personalidade, essa que poderá ser reformada ao longo do tempo.
Lembro de ouvir alguém dizer que nunca, ninguém, em momento algum, iria gostar de mim. É aquela velha história da falta do que dizer. Grande erro o seu. Nem te conto o quanto sou feliz hoje e me sinto muito amada. As aparências enganam.
Não me esqueço do meu jeito atrapalhado, esse que tenho até hoje, de ter cara redonda e cabelo partido ao meio.Do quanto a perna tremia na presença dos meninos, do sonho de ser bruxa e cuidar da natureza. As bochechas continuam a crescer, alguma coisa tinha que crescer.

Uma semana, é isso que falta para meu aniversário, e eu como boa farofeira não vejo a hora do dia chegar, de receber milhões de parabéns, de ficar sem graça no telefone e repetir obrigada, obrigada, obrigada. De dizer a todo o momento “Ah, hoje não. Hoje é meu aniversário!”
Gosto de como estou, estou melhor, cheia de dúvidas e sem a menor ideia, mas definitivamente me aceito muito mais. Agora entendo meus limites, sei o que faz parte de mim e o que eu inventei para me sentir mais comum. Entendo que as pessoas podem gostar de mim exatamente como eu sou, que ao longo de uma amizade existirá discussões, que ninguém é perfeito, aprendi a não ouvir certos comentários, aprendi a amar quem gosta de mim porque quando a coisa é recíproca pode ser tão maravilhoso! Aprendi o principal, que ainda tenho milhões de coisas para aprender e ainda assim não será suficiente. Agradeço todos os dias por tudo, agradeço pelos 9 pontos no braço, agradeço pelo zero em matemática (vê se agora estuda, criatura), agradeço por todos que me fazem sorrir.
E quando for apagar as velinhas, minhas dezenove velinhas, simplesmente vou desejar não perder tudo o que já tenho. Tudo tão precioso!

3 comentários:

Luiza disse...

"queria uma banda (detalhe: não canto, não danço, não toco nada)."
Ahhh, Nara, você samba e canta direitinho, vai! hsuahsuahsuha

Adorei esse texto ^^

.° celala disse...

Eh nara.. vc samba direitinho
e qnt diferença de vc fazendo 19 anso e eu hein? dah ateh medo
eu admito q eu fui do jeito q vc ta descrevendo ateh meus 15/16.. lembro q eu soh chorava vey, mas como eu me aguentava? tipo.. achava definitivamente o q mundo girava em torno do meu umbigo, qtudo q eu fazia tava certo, e acredita qnd alguns desavisados falavam q gostavam d conversar comigo pq eu diferente dsa meninas da minha idade.. Bandigentiburra.. eu era igualzinhazinha hauahau
=*

squishoso disse...

heheheh...adorei o texto narinha!!!

e PARABÉÉÉÉNS!! hehehheh...XD

é bem assim mermo...e o bom é ver q vc ta feliz hj! =]

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