domingo, 24 de maio de 2009

Em primeira pessoa

Então você volta do intervalo, senta na sua cadeirinha e ouve o professor de química dizendo em alto e bom som no microfone:
-Ô gente, tem um comprovante de uma aluna aqui, o nome é... Nara- Martins - Murta. Nara Martins Murta está aí? Nara?
Ahputaquepariu, eu tô aqui, mas para de gritar meu nome, por favor.
Eis que eu me levanto, eis que desço as escadas, eis que escorrego, eis que o professor novamente diz:
-Não pode perder esses comprovantes, pode dar problema depois... E vê se não cai aí.

Vergonha em forma de gente.
É exatamente nesse momento que você comprova o quanto é desastrada, o quanto é um constante perigo para sociedade e para si mesmo. É nesse ponto da vida que você pensa em cavar um buraco e se enfiar lá dentro pra sempre. Sem mais vergonhas, sem mais rosto vermelho e mão trêmula.

Às vezes bate uma sensação de que tá tudo errado. Mas também não aparece ninguém pra me dizer o que é certo. Estou do avesso, amassada e perdendo a cor, acho que virei uma roupa velha. A emoção acabou, todos já me conhecem, um objeto totalmente previsível e estou louca para me substituir por uma roupa mais nova, de cor forte, tecido sem bolinhas e buracos, com costura firme e bem feita.
Basta olhar para mim e perceber o quanto estou cansada. Eu pareço um panda, sempre tive olheiras, mas ultimamente a aparência é de um panda com rímel da noite passada. Meu rosto agora é enfeitado naturalmente, tudo isso pela grátis aplicação de espinhas brotando ferozmente na minha pele! E eu não sei o que fazer com elas, tão grandes e vermelhas. Eu definitivamente não gosto delas! Minha alimentação corretíssima faz qualquer nutricionista querer enfiar beterrabas minha goela abaixo, me faz pensar que a qualquer momento eu vou ter um treco na rua. Esse sono maldito, que me faz dormir nas aulas, não me deixa levantar bem disposta, que me faz querer dormir sempre mais, porque dormindo eu me sinto perfeitamente bem e em paz. Fechar os olhos é realmente bom. Sinto falta do silêncio, da paz de espírito, poder não me preocupar nem que seja por um dia. Não que eu tenha milhares de problemas, mas eu queria sim, poder me desligar de todo o stress causado por mim mesma. Todo esse desastre e todas essas coisas que aparentemente estão fora do lugar.

Sim, eu estou desanimada. Dormi até meio dia, fato impossível de se ver durante a semana. De segunda a sexta eu sou completamente diferente, acordo 5:30 e só chego em casa depois das 23. Durmo por volta da meia noite. Quando chega a quinta feira a sensação é de ser atropelada por um caminhão, o celular desperta e eu levanto na marra, empurrada e batendo em todas as portas possíveis porque meus olhos ainda estão fechados. A sexta feira funciona como uma recompensa. Parabéns, você sobreviveu a mais uma semana! Prêmio? Dormir até mais tarde no sábado. Mas não se esqueça de estudar durante o fim de semana, é essencial. Meus atos se transformaram em frios e calculados, assim como os do Chapolim. O relógio ao mesmo tempo faz o papel de amigo e inimigo, amigo por me ajudar a dividir o dia, inimigo por limitar todas as minhas vontades e por parecer correr quando deveria ir bem devagar, ou o contrário.

Eu nem sei o que estou fazendo, sei que faço. O caminho não é mais pensado, é automático, sigo virando as ruas sem nem ao menos me perguntar se é correto. Virou rotina, e nesses movimentos repetitivos a gente não se questiona, apenas age imitando o dia anterior. Isso me incomoda. Se mudar me dá arrepio, fazer tudo igual me dá a sensação de não sair do lugar.

Ao acordar, todos os dias, repito a mim mesma que é apenas uma fase. Isso me conforta. Se é uma fase é passageiro, se é passageiro vai mudar, se hoje está ruim, amanhã pode melhorar.

5 comentários:

Luiza disse...

No final vai dar certo, amigs!
Faça todas as questões! Se esforce muito, tá? E se você passar e eu não me espera ano que vem! hahahahaha

Nathy disse...

"...virando as ruas sem nem ao menos me perguntar se é correto. Virou rotina, e nesses movimentos repetitivos a gente não se questiona, apenas age imitando o dia anterior.Isso me incomoda." Se fizer alguma diferença, direi que me sinto na mesma situação. E todos os dias me questiono pke ir pra esse curso que nao gosto? pke trabalhar se odeio acordar cedo? pke sair de ksa se quero dormir o dia todo? Eu só queria agora, nesse exato momento, um cantinho pra mim, um lugar onde eu estivesse "sozinha acompanhada por mim".. o problema é que ultimamente estou sempre querendo isso.. e parece que ninguém me escuta... ouvi uma musica hoje que me fez parar e pensar em mim.. mando ela pra vc tbm pekena: "Pq se preocupar com tão pouco? Pra que chorar? Se amanhã tudo muda de novo! Parei de pensar, e comecei a sentir, nada como um dia após dia.." Beijos

Érica disse...

Calma gente, isso que a gente tá fazendo se chama viver.

Na realidade tudo isso é msm mto cansativo, tbm me sinto como se estivesse, como diz a Sandy naquela Música Replay, "pressa em um replay". As atividades do dia são sempre iguais. Todos os dias parecem iguais, quando na verdade são únicos. Ouuuu o dia 25/05/2009 nunca mais voltará! Será que eu entendo a dimensão disto????

Será que o problema é mesmo de tudo, ou sou eu quem está deixando a vida se transformar em uma massacrante rotina?

Tô achando um saco, levantar de segunda a sábado cedo e ir dormir já no dia seguinte. To começando a perceber que já não estou pensando em mim.

Talvez pelo meu desejo de não me transformar em uma adulta frustada, eu estou me transformando em uma "quase adulta" mal-humorada. Pronto! E agora? O que fazer com tudo isso que eu tô chamando de vida? Queria que existisse uma receita de: Como viver. Por exemplo coloque um boa dose de auto estima, levante cedo e etc e tal. (tão artificial)

Bom, o que me resta, é acredita na Pitty: ".. e essa abstinência uma hora vai passar!"

Obs.: Aqui estou eu mais uma vez, fazendo da sua pagina de post o meu blog neh amiga. heheh
Um dia prometo criar vergonha e fazer o meu, ok
Bju te dolo!

Ana Elisa disse...

Eu não vou me assustar quando vc ficar doente. Dizem que nessas situações o corpo não aguenta e entra em colapso.
Olha amiguinha, ja passou da hora de vc desistir de algo que vc nem quer trabalhar. Conteúdo é bom, mas só qnd aplicado.
É eu sei que vc não quer ouvir isso, e que deve ser muito chato ouvir isso. Mas eu só falo porque gosto de vc e quero te ver bem. Para com essa besteira de se acabar por algo inutil!

Aline disse...

Ainda bem q não caio em público! ¬¬

Aviso

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