sábado, 16 de maio de 2009

Aos meus 27 anos ainda não vividos

“Cada idade tem sua dor e sua delícia. É driblar a dor e aproveitar a delícia.”

A fila estava bem grandinha, mas não me importei, eu tinha tempo. Fiquei por ali olhando as milhões de balas, chicletes, pirulitos, salgados, refrigerantes e sorvetes em minha volta. Acredite, isso chama minha atenção, fico babando e lembrando o quanto aquelas balinhas azedas são boas e claro, eu mexo em todos os pacotes de Trident possíveis e sempre penso que o de canela é de fato o melhor.
Acontece que dessa vez me deparei com uma revista, dessas de mulherricaquetemcasadecorada. Na capa, Débora Bloch, linda, com blush e cabelos bem tratados e aquele aspecto de estou na minha melhor fase. A capa trazia a seguinte afirmação: “A vida começa aos quarenta e cinco”. Quarenta e cinco? Tem certeza? Eu refleti, pensei nos meus 18 anos e nos 27 que ainda irei viver, quer dizer, viver não, porque vida mesmo só depois dos quarenta-e-cinco, eu pensei nos 27 anos que ainda terei que esperar, ver passar para depois, aos 45 anos, começar a viver. Tem certeza?
Ok, eu concordo que agora não tenho estabilidade alguma, concordo que não sei tomar decisões e que estou construindo para ter algo sólido no futuro, mas dizer que não estou viva é completamente estranho, é esquecer tudo que me aconteceu, apagar tudo o que eu aprendi, é ignorar toda a (pouca) experiência acumulada e que (quem sabe) aos 45 ainda será utilizada. Dizer que a vida começa depois dos 45 é dizer que não tenho liberdade, não tenho escolhas, que tudo o que faço é um grande ensaio.

Eu me lembro da minha professora contando os planos que ela tinha, eu ficava encantada! Sempre respondia: “Eu também quero uma vida”. Erro meu. O que eu sempre quis foi estabilidade, isso porque, pessoas mais velhas, aqueles que você olha e comprova que realmente é um adulto, tem planos maravilhosos! Uma viagem, filhos crescidos, casa própria, são donos de alguma coisa, nem que seja de uma conta, de uma boneca antiga na prateleira, donos dos seus próprios atos. Coisa que conseguiram com o tempo.
Já os mais novos tem planos de sobrevivência. Muitos não sabem o que querer, mas definitivamente sabem com todas as letras o que não querer. Os jovens sentem a todo instante o gosto da incerteza, da falta de segurança. Quem já teve dezoito sabe.

Não me julgue mal. Em nenhum instante eu quis gerar questões sobre ter quarenta ou ter dezoito, ser um adolescente ou ser um adulto. O que verdadeiramente penso é que em nenhuma das idades somos melhores do que os outros, não é idade que determina caráter. Acontece que eu acho pretensão dizer que a vida só começa aos quarenta e cinco, onde relativamente deveria ser o meio (vai que você morre antes).
Eu sei, eu levei ao pé da letra. Estou julgando sem pudor algum. Talvez meu inconsciente tenha pegado a frase solta numa capa para analisar, talvez seja só um exemplo encontrado por ele.

A vida começa a partir do momento em que se abre os olhos, quando o vento nos desperta, quando nos sentimos preparados. A minha idade não vai definir isso, talvez a minha maturidade, e até mesmo a minha vontade e coragem. Tenho certeza que minha vida já começou, que todos os sentimentos que tenho são reais e válidos. Estou viva e tenha uma vida, percebo isso a cada raio de sol, cheiro de chuva, a cada tombo, decepções, cada apertinho no coração, a todas as vitórias contabilizadas, risadas sem motivo algum e todos os inúmeros momentos de felicidade.

3 comentários:

Érica disse...

Normalmente, acredito que ainda não estou "vivendo" e sim "ensaiando", para que um dia eu possa apresentar a grande peça: A MINHA VIDA.

Quando tenho erro alguma fala, tah tudo bem, afinal de contas isso tudo é só um ensaio, quanto mais a gente erra, mais aprende. E na hora da apresentação de verdade, tudo vai sair perfeito.

Mas aí vem a pergunta: quando eu vou parar de ensaiar, para simplesmente viver? Quanto tempo ainda tenho para errar?

Ai eu percebi, que realmente ensaiei a vida inteira. Triste isso? Não. Porque acordei a tempo e vi que agora é hora de viver. Os ensaios de antes, muito valerão nesta nova fase. Claro que não acontecerá as mesmas coisas que aconteceram, de agora em diante, posso usar aqueles "erros de fala e interpretação" para fazer a grande apresentação. Porque se vive a cada dia, e a cada dia a vida começa pra todo mundo.

Meus 18 anos "ensaiados" vão fazer com que os próximos 18 anos sejam muito bem vividos, não porque agora sou adulta, mas porque parei de ensaiar de viver, e resolvi fazer da minha vida uma grande apresentação da peça de teatro. ESPETACULAR!!!

.° celala disse...

Tambem acho que é pretensão achar que a vida começa em qlqr idade. Cada idade tem uma coisa importante a ser feita ue. Como que vc vai valorizar a sua estabilidade dos 45 anos, se vc nao lembrar d cmo vc chorava a toa qnd vc tinha 15? De como ser adolescente falido era sofrido? Cada fase tem sua importancia ue, a difereça eh q a fase adulta e estavel custuma durar mt masi que a criança/adolescente. Mas juro q nao to com pressa d ter 45! hauahau

Aline disse...

aiai...
idade!
Uma menina q foi da minha sala no terceiro ano estah noiva, deu um susto sabe!?
To velha jah, guria... e acho mesmo que jah vivo, sabe... rs

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