segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Viagem, férias e o mar



Sei que ando sensível e como dizem por aí, estou com os sentimentos à flor da pele – e qualquer beijo de novela me faz chorar. Além de sensível, eu estou de férias: sem trabalho, sem aula, nada para fazer e sem nenhum compromisso a ser realizado. Viajei. Precisava do mar como quem precisa de ar para respirar ou como quem precisa de água para se hidratar. Eu precisava do mar, das ondas, precisava da areia nos pés e da luz bonita e amarela do sol. Dei adeus aquela minha realidade cinza e dura, dei adeus aos problemas que crio diariamente e dei adeus a mim. Nada melhor do que tirar férias da gente mesmo, afinal, inventamos tanto.

A primeira surpresa aconteceu ao entrar no avião. Eu e eu. Eu e um bando de desconhecidos. E o avião: aquela máquina enorme que voa. E permitiu que eu voasse. Voei. Fui alto, tão alto que quando me deparei com as nuvens tão brancas, com o sol tão grande, com a claridade tão sublime, eu chorei. Do nada. Um sentimento de pequenez, um sentimento grande, a vida, o mundo, todos nós. Eu estava nas nuvens, como é bom estar nas nuvens. Chorei e não conseguia parar. Chorei baixo, a moça que estava ao meu lado deve ter pensado que eu estava com medo de voar. Mas não é isso moça, pelo contrário, é coragem. Fui tomada por uma coragem de viver, vontade de estar viva e de aproveitar tudo o que a minha vida tem a me oferecer. Coragem de voar. Passei muito tempo vivendo por outra pessoa, dá licença, moça. Dá licença que a vida está me chamando para que eu viva por mim.

Depois veio o mar. Azul. Imenso. Fico olhando, gosto de olhar para o mar e quanto mais olho, mais sinto vontade de olhar. E eu olho. Encantadas são as ondas. As ondas simplesmente levam, levam tudo e sem perguntar. E batem, batem na gente como quem pede para que tenhamos coragem, são tapas, acorda. Pedia secretamente que levasse toda minha amargura, levasse todo o meu desespero e que deixasse em mim a energia boa que sentia ao entrar no mar. O azul do mar. Bate onda, bate. Leva onda, que leve. E é simples, é o percurso da natureza. Sinto que nossos sentimentos também possuem um percurso. Também fazem parte da natureza – da nossa natureza, aquela que é artificialmente torta.

E aqui eu sinto que estou livre, estou distante e prefiro continuar assim. Sinto que estou bem e que respiro melhor. Acordo melhor e vou dormir melhor. Vejo o mundo aqui com olhos de boa vontade. Experimento. A gente deveria experimentar algo novo todos os dias. Estou mais livre, as pessoas aqui são mais soltas, uma liberdade com o próprio corpo, o cabelo, o sorriso. Tem gente que não tem vergonha de ser feliz, e às vezes eu tenho. Aqui eu não tenho. Acho que é culpa desse sol quente que me aquece.

Eu digo então que andei nas nuvens, fui acordada pelo mar e aquecida pelo sol. Dessa vez foi diferente, de uns tempos pra cá tudo tem me tocado de maneira diferente. O mundo (o meu mundo) anda mais intenso, o raso não me interessa mais e eu me entrego fácil. Porque a minha vida agora é isso: uma entrega. E se eu não puder te levar, vida, eu quero que você me leve, assim como disse Cazuza. 

6 comentários:

Jonas Carneiro Silva disse...

Saudades do sol, por aqui anda tudo tão cinza. A única imensidão que vejo é a chuva. Você está no verão de verdade, com calor e água para refrescar. Manda um pouco disso em uma garrafa?

monologo de nanquim disse...

Há tempos acompanho esse blog, e para ser sincera não sei se já comentei algum de seus textos, mas mesmo assim, sem que vc nem mesmo saiba vc vem me falando há tanto tempo, tanta coisa que todos a minha volta parecem que nunca serão capazes de dizer... sinto que a vida é muito cruel com quem escreve, que diz sem nunca poder dizer algo realmente, quando eu escrevo me sinto fazendo mímica... mas quando vi esse texto sobre o mar foi como ver um diario de bordo das minhas férias que eu nem mesmo escrevi... só que o meu termina mais triste.. com vontade de chorar por não saber por onde começar esse ano novo, que não me pediu licença e foi entrando sem saber se havia espaço para mais tempo dentro do meu coração. De verdade? Este comentário é para ter a certeza que mais gente nessa vida realmente sente falta... um abraço!!

Érica Verônica disse...

Flor,
Aproveita a água, o sol e o mar.
Deixa que o vai das ondas leve tudo que pesou durante todo o ano passado na sua vida.

E no mais volte. Por que eu tô com saudades Naritaaa.

Beijos,
o/

monologo de nanquim disse...

Nara,
Fico feliz que tenha gostado das minhas palavras, e promessa de ano novo.. heheh, prometo passar mais vezes por aqui. Parabéns por seus textos são muito bons!

S disse...

Mas olha só, eu senti uma pouquinho de inveja, mas uma inveja boa porque apesar de ter medo de altura eu moro de vontade de ver as nuvens bem de perto, e comigo não seria diferente, eu iria chorar também.
Beijos Querida!

Alline disse...

Nara, eu li e fiquei com vontade de ter essa coragem. Ainda estou imaginando o que seria. Mas essa tua sensação de liberdade é tão boa que algum dia eu me atrevo.

Brigada!!! =)

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