domingo, 4 de outubro de 2009

O que me incomoda


Quando criança era fácil. Menina amável, controlada, silenciosa, carinhosa, eu sempre fui bem fácil de se manter relações, muito aberta e compreensiva. Eu não implicava com pouca coisa, não era não, depois era depois e não quero era simplesmente não quero. Eu me doava, queria mostrar o quanto era legal e queria mostrar aos meus amigos que meus brinquedos também poderiam ser deles, a única regra era colocá-los na minha caixa de brinquedos com o chegar do fim do dia.

Eu não era nem um pouco ciumenta, principalmente com objetos. Pra que brigar por coisa pouca? Daqui a pouco estraga, quebra, perde a validade e aí? O que te resta? Resta um “Poxa, deveria ter dado essa porcaria pra Joaquina!” Eu me lembro de espalhar meus brinquedos pelo quintal, de chamar as amiguinhas para brincar e de perder algumas pecinhas da Sala de Jantar da Barbie. Eu não me importei, minha mãe fez um escândalo, brigou comigo, disse que eu era boba e que eu não cuidava dos meus brinquedos direito. Tudo bem que isso ela fala até hoje, mas ela trocou a palavra brinquedos por roupas, livros, cremes, blábláblás e mimimis.

O que eu tenho de desmazelo por objetos e coisas, me sobra em relação a pessoas. Eu já disse aqui, eu me perco nos meus pensamentos quando o assunto é gente, ainda mais se a gente em questão são essas que fazem parte intimamente da minha vida. Todo meu lado ciumento surge, minha máscara de pessoa serena cai e rugas habitam minha testa. Eu me controlo, mas minha máscara é fina, quase transparente, qualquer movimento a mais, ela ameaça um tombo, tirando assim a minha pequena concentração. Eu não consigo esconder meus sentimentos, eles existem, são exibidos e merecem um espaço. Não falo de um pequeno espaço, eu falo de um salão enorme, bem iluminado e com janelas maiores ainda. Por isso, hoje eu não escondo, eu admito, deixo anotado e às vezes grito que Eu Sou Ciumenta.

Não, eu ainda não ameacei ninguém com facas, não cortei nenhum pedaço de alguém e nem fiz barraco no meio da rua, acho isso o fim. Meu ciúme é tímido, nítido, porém, tímido. Eu juro que tento esconder, deixar ele quietinho, finjoquenãotôvendo e nemtôsentindo, mas ele fica lá, me arranhando por dentro. Incomoda a gente.

Se eu pudesse excluir um sentimento da minha vida seria o ciúme. É um sentimento malvado, ele não se basta, sempre vem acompanhado, é insegurança, é raiva, medo, dor. É ruim, pronto, não preciso me defender ou esclarecer, quem já sentiu entende. Quem já sentiu o coração bater mais forte por se sentir ameaçado, como se fosse perder alguém que se ama, me entende. Quem já sentiu o sangue correr pelo corpo, os olhos saindo pra fora e uma vontade enorme de esganar, sabe do que eu estou falando. Quem já sentiu medo, medo que na esquina mais próxima tenha alguém melhor, mais interessante, mais amigo, mais bonito, alguém com mais cara de sonho, quem já sentiu esse medo, eu tenho certeza, não está me julgando de neurótica neste momento.

Enquanto isso, podem pegar minhas canetas, brincos, blusas, livros e seus objetos desejados, mas por favor, coloque na caixinha de devolução depois, eu gosto das minhas coisas. E não adianta me olhar feio, não vou emprestar minhas pessoas.

7 comentários:

Cela disse...

nara, to te lendo da aula d informatica. seu texto num monitor de milhoes de polegadas eh mais legal. Nao ficarei timida em te pedir coisas qnd for asua casa entao. voltarei dai cheia d sacolas, mas tenho uma boa noticia pra vc, eu devolvo tudo tah? e inteiro! hauhaua bjo

Luna Sanchez disse...

Já senti ciúmes, claro, muito, mas não é algo constante em mim. Minha vontade de deixar livre pra ver se volta é maior, e me incluo nisso...também gosto de ficar livre, pra ver se dá vontade de voltar.

Nada me dá mais prazer do que a escolha legítima, sabe, Nara? E quanto mais e melhores opções, mais difícil é a escolha, e, por isso mesmo, mais saborosa. Adoro isso! ^^

* Gosto tanto do que leio aqui, sempre saio com um sorriso.

Beijos, dois, de boa semana.

ℓυηα

Carol Carvalho disse...

Nossa flor, parece que eu vi minha história contada ai.. rsrs
Sou muito parecida com vc... Muito mesmo.
Me identifico bastante contigo..`
É péssimo vivver assim né? Nessa insegurança, com esse ciume... Mas pertence a nós, só nos cabe controla-lo...
Tem selinho pra vc... Passa lá!
bjão ;)

Alexandre Prestes disse...

assinei suas atualizações RSS, espero por novos posts, beijo,
Alê

Carol Carvalho disse...

Eiii, onde seu namorado mora??
E quando vc vem pra cá?!
É ruim ficar longe de quem a gente ama né?? ooo dureza.. =/

Bjo linda, se cuida e não fica triste não.. tá?!

Érica Verônica disse...

Ciúmes.. Tenho uma caixinha no coração lotada disso.

Eu também sou como você florzinha, quando gosto de alguém (amigos, ou rolos mesmo), as vezes esqueço que a pessoa tem vida antes de mim. Ela, assim como eu tem amigos de décadas, e esses amigos fazem parte da vida dela... " mas eu me mordo de ciúmes.."

Não gosto de falar geralmente fico ali no cantinho de tudo, com uma carinha amarrada, e alheia a conversa. E quando alguem me pergunta: "O que foi?" Eu sempre respondo com um bico: "Nada não.."

Típico.. aff!

Carol Carvalho disse...

Aaaaa que isso, seu nome é lindo!!
Diferente, mais lindo!
ooo vamo torcer par que chegue Janeiro logo..
Chegaaa Janeiro!!! hahaha
Assim vc ve a sua loira e eu pego férias!!! uhuuuu \o/
Hj vou postar mais selinho e tem pra vc ;)
bjO

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