quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Hoje não


Hoje a noite ela resolveu que não iria sair, preferiu ficar em casa. Era sexta, mas ela estava cansada demais. Trabalhou o dia inteiro. Era comum sair na sexta-feira, mesmo que fosse para o mesmo bar, onde encontraria as mesmas pessoas, voltaria no mesmo horário, estaria bêbada e claro, não iria se dar conta disso. Todos diziam que ela andava bebendo demais, mas ela não se importava, nunca deu ouvidos aos outros e jamais daria satisfação de sua vida para alguém.

Naquela sexta-feira ela quis se purificar, não sabia exatamente o que fazer e por isso simplesmente arrumou o guarda-roupa, jogou algumas coisas fora e lavou a cabeça. Pronto, um banho sempre purifica - foi o que ela pensou.

Dessa vez não havia garrafas caras de bebidas fortes, nem gargalhadas de pessoas falsas em seu ouvido. O que existia era apenas ela mesma. Sem aquela elegância, sem aquele salto, sem o ar de moça séria e dedicada. Tudo foi trocado por um sorriso trancado, um olhar cansado e um pijama furado e velho. Era uma sensação boa, uma liberdade conquistada apenas em seu apartamento, no aconchego do quarto que ela mesma havia decorado.

Mais tarde decidiu que precisava relaxar. Abriu a geladeira e encontrou quatro latas de cerveja. Era exatamente o que ela precisava. Nada sofisticado com uma pitada de grosseria. Era como ela se sentia. Bebeu a primeira lata como se bebe água, tinha sede. Já pelas tantas, ligou o som, ela já não se lembrava dos vizinhos e muito menos do horário. Queria sair só. Viajar em seu mundo e só voltar quando o real estivesse se acabando. Ela sabia que ninguém iria notar sua ausência.

Deitou, ajeitou o travesseiro, ligou a tv. A lata de cerveja permaneceu do seu lado, como um companheiro. Adormeceu. Dessa vez a noite passou por ela.

3 comentários:

Luna Sanchez disse...

Rodou mas não saiu do lugar...acho que valeu a tentativa de fazer diferente, embora não tenha dado muito certo.

Gosto tanto do meu mundinho, do meu pijama velho e furado, do silêncio, da minha companhia. Acho que sou louca ao contrário. ¬¬

* O horário de verão já está me matando...de raiva, Nara. 7 : 30 da noite, e o sol lá, brilhando, todo serelepe...aff! Que saco. =\

Beijos, flor.

ℓυηα

Nathy disse...

É.. por muito pouco, tive a impressão que faltou meu nome no início do texto: "Esse é pra você Nathane"

Sair as quintas,sextas e sábados pro mesmo bar, com as mesmas pessoas, voltando sempre no mesmo horário já é rotina na minha vida. Mas eu gosto. De verdade.

Mas tem dia que não. Tem dia que casa é tudo que você quer. Mas a sensação estranha de estar perdida no próprio quarto traz uma aflição. Arruma isso, troca aquilo, volta pro lugar de novo.. iii, credo!

Mas confesso que são nesses dias que passo realmente pela noite, pke fora esses, a noite passa por mim e não dá nem Bom dia.

Érica Verônica disse...

Sextas feiras a noite trás um certo desconforto, um cansaço que consome o corpo inteiro. Por isso que eu sempre escolho a minha casa. Depois de um banho quentinho, de uma desorganizada no quarto ("amanhã é sábado mesmo, amanhã eu arrumo") para poder encontrar o colchão mais rápido.


Mas certas sexta feiras trazem um incomodo gigante para o coração da gente. Parece que a noite fica mais longa e mais fria. Sensação ruinzinha. Certas sextas feiras nos fazem sentir como aquela cerveja "gelada e extremamente grosseira." Parece que a noite invade a alma e coração. Quando isso acontece o melhor mesmo é esperar que o sol chegue novamente, pra ver se ele consegue iluminar o coração da gente de novo. É isso que a gente sempre espera.

Aviso

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