terça-feira, 11 de agosto de 2009

Em cima dos pontilhados

Quando eu entrei na escolinha logo arrumaram um jeito de me ensinar a ler e escrever, eu que era uma boa aluna, uma criança inteligente e esperta, dava um jeito de ouvir tudo com carinho. Passava o lápis bem em cima dos pontilhados e jamais, de forma alguma, tirava o lápis da folha ao fazer uma letra. Tudo muito redondinho, cada letra ocupava duas linhas, assim, bem grande mesmo. Eu era boa naquilo.

Na primeira série a professora pegava meu caderno de exemplo, diziam que eu tinha uma letra bonita, era caprichosa, coloria de vermelho a margem do caderno, numerava as linhas, recortava bem os textos que a Tia Zezé nos fazia ler e já conseguia fazer colagens sem emporcalhar todo o meu caderno. Uma aluna de letra bonita.

Aos catorze anos eu fazia testes na internet sobre o formato da letra. Você analisava uns exemplos, marcava o que mais parecia com a sua escrita e taran, sua personalidade era informada. Sempre gostei de testes, era umas das primeiras coisas que eu fazia quando pegava as revistas para ler. Naquela época eu procurava me descobrir, se minhas letras marcadas me levassem a pior resposta eu dava um jeito de mudar tudo, trocava uma A pela C, outro B por mais um C, e olha, marquei a maioria C! Conseguia sempre os melhores resultados nos testes de revistas femininas.

Mas hoje eu reparei que a letra que antes era escrita a lápis, que eu segurava com força, que era toda perfeitinha, redondinha e simplesmente cursiva, é escrita com uma lapiseira, a força exercida é bem menor, a pressa fala mais alto e as letras se misturam. Seria uma vergonha pra Tia Zezé me ver escrever e perceber as milhares de vezes eu tiro o lápis do papel, mesmo que seja pra fazer uma letrinha. Letrinhas que ficam tortas no papel, uma maior que a outra, letrinhas que às vezes se perdem nos rabiscos e nas anotações ali do lado.

4 comentários:

Luna Sanchez disse...

Nara, Nara...

Parece que, seja pela forma da letra ou por qualquer outra coisa, o que a gente quer é desafiar o mundo, é ser um mistério. Nada mais natural, então, que os testes que nos revelam sejam esquecidos rapidamente, e os que erram feio continuem frescos na memória...comigo é assim.

Teus textos me tocam, gosto de te ler.

Dois beijos, querida.

ℓυηα

Érica Verônica disse...

Nossa também amava fazer estes teste de revista. Especialmente os da capricho. Achava MARA!
Até hoje, às vezes faço estes testes.. hehe

Também ja fui uma aluna exemplar. Meu caderno também já foi exemplo do organização. Hoje em dia, ando com tanta preguiça que só anoto o necessário. Onde será que a aluna exemplar se escondeu? Vou ter que encontrá-la! E urgente!

Del Lopes disse...

Mas será que todo mundo teve uma tia Zezé?! Estranho isso... acho que eles criavam uma pra cada escolinha infantil do país. Tia Zezé foi uma das melhores professoras que eu tive... a "minha" tia Zezé, pelo menos

.° celala disse...

Ah, a prof da quarta serie pegou meu caderno de exemplo tbm pq eu fazia tds as margens e riscos da msm cor! Era bonito msm. Agora menina, sohjesus, eh prf falando c anotando palavras chaves pra tentar refazer o texto depois. Fora a célebre frase em cima de qse tds as minhas folhas de cursinho "sono. tédio. fome. sono. tedio. fome..." hauahau qse como um mantra

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