terça-feira, 15 de novembro de 2011

Do meu jeito


Hoje por algum motivo – que com certeza Tio Freud explica, eu senti falta da minha infância. Não foi a saudade de ser criança, mas uma saudade de quando eu na minha tranqüilidade sentava no chão, pegava qualquer objeto inanimado (que era muito melhor do que todas as Barbies do mundo) e simplesmente dava vida e personalidade a cada objeto. Eu ficava ali, sozinha, horas, brincando e traçando conversas. Não tive irmãos, eu mesma fazia todas as vozes e todo o desenrolar da história, do meu jeito e com o meu drama.

Acho que o drama eu não larguei. Ainda invento as minhas histórias, ainda coloco gente na minha vida e crio situações. A diferença é que antes eu não me enganava, agora os personagens são de carne e osso e muitos muitos muitos sentimentos. A tranqüilidade se foi. E eu fico inquieta no meu balançar de pernas misturando com minhas palavras tortas. Tento decifrar o que passa aqui dentro. Juro, nem eu sei mais.

Eu não sei exatamente o que eu estou sentindo e isso não é novidade para este coração geminiano. Ando em guerra aqui dentro. Amor, raiva, ódio, vontade, mágoa, insatisfação, paixão, ilusão e tristeza andam brigando e jogando com todas as suas armas. Eu não ouso separá-los, apenas assisto, tentando desviar dos tiros nada certeiros que insistem em tirar meu sossego. Perdi a calma, o juízo e até o bom senso. Perdi um pouco de mim e da minha costumeira graça. E vou dizer, o problema é comigo e é meu. Não quero envolver mais ninguém.

Seguro a onda, agarro a vontade, mas tudo acaba escorregando e sorrisos se vão. Não sirvo mesmo para me prender. Eu gosto é do gasto.

6 comentários:

Érica Verônica disse...

Flor,
Estou compartilhando isso com você:
"Seguro a onda, agarro a vontade, mas tudo acaba escorregando e sorrisos se vão. Não sirvo mesmo para me prender. Eu gosto é do gasto."

Beijos,
o/

ParadoXos disse...

palavras de ter e sentir... imensamente!

Rebeca Amaral disse...

Do gasto, do estrago e de quê mais? Da confusão, é claro.
Porque mulher que é mulher na raça, gosta mesmo da dúvida. Gosta da complexidade que ela mesmo pode criar com seus sonhos malucos. Gosta de ver as pessoas assim, sob seu controle.
No entanto, não é todo dia que temos a sorte de que tudo isso dê certo... Daí a gente erra, e dói.
É uma dor tão única, tão nossa, que só a gente mesmo pra entendê-la e suportar, desprezando todos os tipos de ajudas externas.
Depois a gente se levanta e começa de novo. O desgaste, o estrago, a confusão...
Só assim mesmo pra ser mulher, do nosso jeito.

Suzi disse...

Esse seu texto me lembrou de uma conversa recente que tive com um amigo. Envolvia viver no mundo da fantasia e no da realidade. Ele admitiu que vive no mundo da fantasia porque no da realidade, ele acabava se machucando. E da fantasia que estou falando, é o da "ficção". Mas, a verdade é que todos nós temos, uma hora ou outra, nos confrontar essa porção de realidade que mundo faz questão de nos impôr. Vai doer quando as pessoas te machucarem e traírem,mas, é algo que faz parte da vida. Manter a si mesmo num casulo não resolve as coisas, apesar de ser melhor dessa forma.

Suzi disse...

P.S.: desculpe por invadir o seu blog

***MissUniversoPróprio*** disse...

No meu caso, a paixão fala mais alto, silenciando a raiva, a mágoa, a ilusão e tudo o mais que a rodeia. Sobram só ela e essa minha ansiedade, que, casadas, sempre acabam em tristeza.

Beijos, flor.

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